12/02/2026

COLAPSO EM PONYVILLE - Minha fic

No ano de 2025 na época de Halloween, promovi em meu canal um eventinho chamado "FEIRINHA DE FICS DIGITAL", a ideia era todos "colherem" uma fic autoral e exibirem na feirinha a fim de obter um premio, como na feirinha de outono do stardew valley sabe? 

O evento foi divertido, embora organizado de forma caótica por mim mesmo, espero poder repetir novamente este ano, mas até lá, você pode ler a minha fic de participação "café com leite" :) 

Aproveite também para ler a fic vencedora ou verificar o vídeo onde é realizada sua leitura. Que por sinal, tem uma capa belíssima inspirada naquele meme da caneta pegando fogo de um clip de musica que eu não lembro qual é, mas a força imagética ficou na memória. 







Colapso em Ponyville - Por Cowboy Toy Bunny

Noite clara enluarada em Ponyville, uma égua dormia tranquila após um dia cheio. Respirando fundo pelo largo focinho, ar fresco entrava e saia como uma suave brisa quente. Essa quentura aconchegante na cavidade nasal lisa e brilhante atraiu uma pequena forma de vida estrangeira, que foi lentamente sacolejando para dentro, parecia a caverna perfeita, arrastando a barriguinha cheia de ovos, a rechonchuda larva descansou finalmente, espalhando muco.

A chegada não foi despercebida, a hospedeira sentiu um coçar e tentou expulsá-la fungando e passando o casco no focinho, mas rapidamente estendeu seus tentáculos com delicadas porém potentes ventosas circulares. Era perigoso ficar na superfície, lentamente, ela foi empurrando-se laboriosamente para dentro do túnel.

Na manhã seguinte, Rainbow Dash bateu desesperada a porta da Twilight. “LEVANTA GATA, BORA TRABALHAR”. Twilight preguiçosamente levantou a cabeça do travesseiro e respirou fundo, Spike se adiantou.

“Ooi spike” disse Dash irritadiça. “Preciso levar Twilight pra ver o que aconteceu na praça”.

“O que aconteceu?”. Disse o bebê dragão com os olhos brilhando, interessadíssimo, rezando por algo que não envolvesse a limpeza extenuante da biblioteca.

“Ahh cara… nada pessoal mas se eu for te contar vou ter que contar pra Twilight de novo e a gente não tem tempo pra isso não”.

Spike ficou desapontado, esfregando as mãozinhas, no entanto ouvir os passos de Twilight se aproximando o animou, sua cauda espinhenta começou a abanar. “TWILIGHT TWILIGHT! Venha ouvir a novidade”.

“O que é agora Rainbow Dash?”. Disse Twilight com irritação crescente.

“Um BURACÃO NO MEIO DA VILA, não sei se alguém já avisou a prefeita Mare, mas a gente sabe quem vai ter que resolver isso, então vim direto falar com você”.

Bocejo. “Buraco é?...” Twilight não pareceu interessada.

“TWILIGHT, CÊ NÃO TÁ ENTENDENDO GATA, vem, você vai ter que ver”. O tom de Dash trazia urgência, sua cauda chicoteava para um lado e para o outro de ansiedade.

Twilight quase revirou os olhos, sentiu um cutucão tímido na lateral de seu corpo, olhando para Spike, concordou com a cabeça, o que a fez sorrir um pouquinho.

O buraco era realmente um colosso, muito profundo também, na verdade a mente analítica de Twilight chamaria aquilo de cratera.

“Acha que pode ter sido a chuva?”. Disse Twilight coçando o sono para longe dos olhos.

“O chuvagedon? aaaaaaaaaah nem fodendo”. Respondeu Dash com um olhar espertinho e um sorriso, pensando em sua performance na competição anual de chuva dos pegasus climáticos.

“A chuva pode ter infiltrado e feito o solo ceder”. Retrucou a nerdola.

“Twilight, esse evento é muito bem pensado, jamais permitiriam prejudicar a cidade ou sei lá, não deve ser isso não, esse chão aí que é vagabundo, casca de ovo”.

“Ou foi a nave”. A repentina voz aguda de Pinkie Pie estava com a dicção falha por trazer uma cesta de muffins em sua boca.

Spike estava mais afastado, circundando a cratera devagar procurando pistas, mas as duas pôneis se assustaram com a aproximação sorrateira de Pinkie, que era geralmente era tão barulhenta e saltitante. Elas esperaram em silêncio por mais informações.

Pinkie deu meia volta indo fazer sua entrega, porém Twilight a segurou pela cauda macia com aspecto de algodão doce, e passaram alguns minutos ouvindo sobre como uma nave alienígena tinha caído em Ponyville noite passada.

Enquanto ouvia, de olhos arregalados, Twilight encarou a cratera, aquele vazio espacial a fez sentir algo estranho, um horror primordial que fazia seus cascos de presa tremerem com vontade de sair galopando para um prado seguro. Não tinha vestígio algum de qualquer nave.

Após o ominoso relato de Pinkie, Twilight saiu com Spike por Ponyville recrutando uma força tarefa de unicórnios para ajudar a reconstruir o buraco, lógico, como proficiente estudante de magia, ela poderia cobrir tudo sozinha, mas isso levaria tempo e a impediria de construir uma equipe em quem pudesse dar ordens, quer dizer, construir um senso de comunidade entre os unicórnios locais.

A história toda de nave parecia absurda, simplesmente teria desaparecido?Twilight estava extremamente cética, e Dash, decidiu contar as outras, alertando todas as mane six pra que ficassem atentas a possíveis sinais de visitantes indesejados, o cérebro de passarinho tropical de Dash não sabia como computar a informação, seria IRADO se fosse real, mas também, muito assustador. Por fim, restava ir ao rancho da maçã doce, sua última parada.

Sobrevoando a propriedade, ela notou Applebloom correndo pelo campo em direção a casa, coisa que fez seu coração acelerar e suas pupilas alargaram, havia perigo naquele inicio de tarde.

“AppleBloom, não devia estar na escola?”.

“Rainbow Dash, ocê tem que ir chama a Fluttershy! AJ não tá muito boa não”.

“Fluttershy? por que não leva ela ao médico?”.

As duas discutem e Applebloom relata que a irmã pediu expressamente por Fluttershy e Rarity, não precisavam envolver Twilight, ainda, na verdade, teimosamente a potrinha preferiu ir a Zecora, mas encontrou a cabana da zebra fazia. Rainbow não entendeu muito bem, ela foi ser a égua de recado uma vez mais. Talvez envolvesse o ataque de algum animal.

Fluttershy trotava rápido trazendo sua maletinha de primeiros socorros na boca. Rarity, olhar de preocupação, o que teria acontecido a AJ? E Rainbow Dash impacientemente foi na frente voando. Vovó Smith e BigMac também estavam extremamente preocupados, e AJ estava trancada no quarto sem deixar que ninguém entrasse.

Rainbow se adiantou e bateu a porta, perguntando o que houve, ouviu algo pesado arrastar, e a porta abriu apenas uma fresta, onde pôde ver o olho verde imenso, com veias enraizadas cobrindo a superfície.

“Ocê.. pegue água preu e uma faca também… espere as ota chega”.

A voz dela soava… normal o bastante, o que encucou ainda mais Dash, perdida em pensamentos ela fez como AJ pediu, após questionar e ter a porta fechada em frente a seu focinho. Ela achou ter visto uma mancha, algo grudento, no pelo de Applejack próximo ao olho hipervascularizado.

Quando Flutts e Rarity chegaram, encontraram a vovó se balançando na varanda da frente em uma cadeira rangedora, ela tinha um olhar apático e simplesmente cumprimentou as meninas como de costume. Rarity e Fluttershy se entreolharam. Onde estava o charme caipira de sempre?. Elas encontram Rainbow Dash sentada de costas para a porta do quarto de AJ, bebendo um gole no caneco d'água, ao lado, uma faca da cozinha.

Rarity se aproximou da porta, pareceu natural que ela tomasse a frente nisso. “Querida, podemos entrar agora e conversar? Estamos aqui para ajudar”. Era notório o tom doce, mais distante, de atendimento ao consumidor da modista.

Novamente, o olho penetrante grama verde as encarou por uma fresta claustrofóbica, mas nada foi dito. A porta abriu com uma focinhada e AJ virou-se de costas para as visitas.

Silêncio.

“Entrô um trem no meu nariz”. Disse Applejack quando ouviu a porta fechar novamente após todas entrarem.

“Como é cacete? Chamou a gente por causa de catarro?” Respondeu Dash deixando cair a faca.

“Catarro é o que sai...” - corrigiu Fluttershy baixinho após colocar a maletinha na cama de AJ e começar a buscar um foco de luz, nem se dando conta que poderia simplesmente pedir a Rarity.

“eu tentei i trabaia como sempre pa ver se passava e…”. Applejack não era de drama, mas dramaticamente virou-se como se estivesse zelosa em mostrar-lhes o que tinha acontecido a seu rosto.

As veias estavam colorindo sua face, espessas, movendo-se às vezes, do seu focinho pingava um líquido estranho amarelado e bem aguado, misturado a sangue fresco vermelho, havia no chão pequenos pontos da mesma secreção, e manchando seu pelo de forma esparsa, vermelhidão nos olhos, que pareciam fundos além de irritados. Ela não vestia seu chapéu e estava com a crina solta, o que a fazia parecer menos Applejack do que normalmente era, seu cabelo parecia mais palha e menos trigo dourado, sua composição levemente mais frágil também, mas só pôneis que a conheciam tanto quanto estas notariam.

AJ explica que não sabia dizer o que aconteceu mas quando acordou tinha uma mancha no focinho e em sua cama, enquanto conta isso, escorrendo pelo nariz, gotas gordas pingavam, ela relata que foi ao banheiro e com muito custo conseguiu olhar dentro do buraco de seu focinho, e viu algo lá dentro mas não conseguiu expulsar fungando.

Acordou com gosto de sangue em sua boca, mas não sentia dor alguma. Seus cílios também pareciam gosmentos e a mesma mistura manchava ao redor de sua boca.

Fluttershy tomou a frente, enquanto Dash bebia a água que ela mesma trouxe mais uma vez e Rarity vai buscar um paninho molhado para tentar recompor a amiga.

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Applejack sentou-se no chão, e sentiu sua cabeça pesada e a visão borrando, estava fraca, seu corpo parecia tão quente que podia sentir um calor febril nas pálpebras ao fechar os olhos, também havia um grude pesado em seus pelos, estava suando como na temporada de colheita.


Fluttershy pediu pra que Rainbow Dash segurasse o foco enquanto usou sua pata para levantar e amassar o focinho de AJ na narina indicada, ela olhou com concentração total a cavidade, parecia ferida, mucosa irritada e cheia de sujeira seca, lá no fim do túnel, viu uma pontinha clara se mexendo. Fluttershy tinha experiência veterinária o suficiente para identificar com o que aquilo se parecia.

“Encontrei!” Foi o máximo que ela pensou em dizer para não alarmar ninguém. “Vou precisar de uma pinça para extrair..”. Disse ela com as sobrancelhas juntas e um repentino medo de falhar.

Rainbowdash perguntou-se por que AJ pediu uma faca. Rarity voltou e cuidadosamente, limpou o rosto de Applejack. De perto, pôde ver o quanto ela realmente parecia doente, seu olhar não tinha brilho, funduras mancharam sua feição geralmente viçosa. Rarity segurou sua preocupação para não transparecer, elas com certeza deveriam ter alertado Twilight sobre isso.

Rainbow continuou segurando a fonte de luz, Fluttershy continha o focinho aberto, e agora Rarity segurava com magia uma pinça que Fluttershy carregava para casos de espinhos ou farpas.

“Ahhh é aquilo alí? Essa coisinha?” Minimizou Rarity, sentindo seu olho direito tremer de estresse, tentando manter firme o instrumento, posicionou-o, mas ao fechar, o alvo era gosmento demais e escorregou algumas vezes, AJ deu um pulo e soltou um ruído de desconforto, seus olhos lacrimejaram com os cutucões.

Trincando os dentes, Rarity tentou novamente e fechou as cruéis e frias pontas da pinça ao redor da criaturinha macia. Era muito mole, tinha medo de apertar demais e aquilo se romper de alguma maneira, ou novamente escorregar para fora como se ensaboada.

“Puxe de uma vez só e traga para fora!” Instruiu Fluttershy gritando nervosa.

E Rarity puxou. Foi como levantar um broto da terra, algo agarrou aquilo no lugar firmemente, e AJ gritou em pavor, fazendo Rainbow Dash assustar e derrubar o foco de luz. Foi tudo muito rápido. Rarity puxou mais e com mais força, fazendo Applejack gritar como se sentisse sua cabeça sendo aberta ao meio, Rarity arremessou a pinça e tentou puxar na telecinese pura. Era um corpo anelídeo sinuoso, Appleajack sentiu cada vibração de segmento anelar dançando para dentro de seu crânio. Sangue começou a escorrer devagar.

As garotas entraram em pânico quando Rarity puxou com o impulso de seu corpo e saiu mais de três metros de verme branco anelado, Dash agarrou com os dentes parte do corpo daquilo com a boca, mal sentindo gosto azedo, salgado e ferroso. Rarity torceu sua boca e arregalou os olhos quando notou, tanto o movimento impulsivo de Dash quanto um fato preocupante, não conseguir envolver com magia aquela criatura toda, simplesmente não tinha fim.

Fluttershy em meio a confusão afastou-se para trás chorando em pavor e agarrou Applejack sem saber o que fazer. Dash sentiu a moleza daqui cedendo entre seus dentes, sua boca foi preenchida com um forte gosto biliar e acidificado. Ela tossiu e se afastou em reflexo vomitando, enquanto Rarity se viu ficando com o lado mais curto, a outra parte agiu como uma fita métrica recolhendo-se para dentro.

O ricochete dolorido, somado a pânico e fraqueza fez Applejack desmaiar nos cascos de Fluttershy.

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