22/03/2026

Quem vai nos salvar da rosa?

 

    Eu já tinha visto alguns posts aqui e ali sobre esse novo filme com a Karine Teles, mas não me atentei nem ao nome, então um amigo meu me disse que ficou completamente GAG com o plot twist e eu decidi ver na mesma hora, uma das palavras que ele usou é praticamente uma isca para me atrair instantaneamente: foi feito para chocar. Na vida passada eu devo ter sido um ovo 🏳️‍⚧️ (humor trans kakakak)

    Já digo de cara: não vale a pena assistir, a não ser pra criarmos falsos números e isso de alguma maneira incentivar o cinema brasileiro, que está vivíssimo ultimamente, ainda vamos garantir o careca dourado, tenho fé.
    Salve Rosa é uma boa tentativa? mas o que mais me incomodou não é o plot completamente surtado nem o roteiro fraco, mas sim a montagem completamente louca.

    Nesse filme descobrimos os segredos obscuros da vida programada da influencer mirim Rosa, que é um nome dolorosamente óbvio pra essa personagem, que tem a profundidade de um pires. Com certeza um dos trabalhos da Klara Castanho e da Karine Teles, ambas tem obras muito melhores no currículo, mas fazer o que né, eu imagino que a premissa parecia legal, e querendo ou não o filme pegou hype né.

    Falando de um ponto positivo a paleta de cores É BÉLISSIMA, o figurino da Rosa é um sonho, e tem uns takes bem legais, embora nem todos né, a cena delas gravando na chuva eu achei bastante estranha.

E o que tem de ruim? todo o resto. Agora eu vou spoilar tudo eim
    Rosa e sua mãe vivem se mudando, por que a personagem da mãe tem um esquema estranhíssimo de tentar manter a filha como "demenor" pra sempre, a fim de explota-la como influencer. E aparentemente ela só faz publi de brinquedos, esse é o conteúdo dela.

Se ela fosse gamer de roblox seria muito mais legal. Olha o que você fez Felca :(

    Pensando só nesse ponto, poderia nascer uma obra sinistra sobre como as mães mais narcisistas desejam profundamente que os filhos permaneçam na doçura, submissão e na necessidade da mãe para sempre. O que lembra muito o tão falado caso de Gypsy Rose Blanchard, uma personalidade criminosa que a internet apoiou até certo ponto, o que poderia acontecer né já que ela também é vítima, e é impossível assistir a serie sobre, com a Joey King chamada The Act, e não sentir empatia sobre todas as desventuras que a menina passou.

Deus queira que o nome Rosa não tenha vindo diretamente de Gypsy Rose, isso sim seria uma homenagem sinistra e de muito mal gosto.

    Acontece que para evitar os malefícios da puberdade Dora, a mãe da Rosa, utiliza de bloqueadores hormonais ou similares e dopa a filha milhares de vezes pra poder viver um pouco, outra dor da maternidade que seria interessantíssima para abordar, a falta de tempo que mães solo sobrecarregadas tem para simplesmente se divertir e viver como pessoa, mas isso é reduzido a algumas montagens da Dora se arrumando e cenas de amor adulto intenso.

    Na segunda ou terceira a gente já entendeu que ela sai pra ter rendezvous casuais, a gente até pode achar ela um pouco loba, mas pra que gastar tanto tempo de tela? Repetindo a mesma piada que fiz no shorts, se recortar todas essas cenas pra fora do filme vira um tiktok.

    E a pobe da Rosa nunca nem suspeita de nada, até ela começar a conversar com uma coleguinha que é fã dela, a Luana, personagem da Joélly(Três Graças), vivida pela Alana Cabral, e realmente, quando a gente faz amigos na escola percebemos que nem todas as famílias são como a nossa, o que ajuda a finalmente detectar padrões de ab*so. Um amigo na escola teria matado a premissa de Dente Canino (2009).

Fico genuinamente feliz em ver a Alana ganhando novos papeis.

    O problema é que a Rosa além de ser extremamente manipulável, volúvel e boba pra sua idade também é muito controlada. Devo dizer que achei a Luana também muito boba viu, talvez seja uma falta de direção, por que até a personagem Dora perde a mão lá pro final. 

    E hormônio é coisa séria, então quando a Rosa começa a interferir no tratamento caseiro da sua mãe, ela tem uma emergência médica, e finalmente uma prova de quem tem algo de errado quando um exame de sangue é feito no hospital. 

    Eu nunca tinha parado pra pensar no quanto é perigoso, nesse tipo de situação o fato de precisar da autorização dos pais para tirar sangue de uma criança, e pesquisando, o buraco é mais em baixo, não se pode nem operar mesmo que a criança esteja correndo risco de vida sem autorização dos pais. Provavelmente essa é uma discussão muito séria, vamos ficar no nosso mundinho silly. 

    Enfim, se o filme é muito picotado e com cenas desnecessárias no inicio, da metade para o fim se arrasta languidamente, e devo dizer que eu perdi o interesse, só voltei pra terminar de assistir por que achei que precisava encerrar este ciclo. 

Eu sei que não é tão profundo assim mas recentemente eu percebi que odeio finalizar coisas. 

    Ao ser descoberta e confrontada por Rosa, a mãe surta, prende ela no quarto, e seus comportamentos over the top deixam a entender que sua mascara de boa mãe caiu por terra. Ela planeja como escapar e conta parcialmente a verdade a Rosa mostrando registros de seus aniversários com números repetidos de bolo como se isso trouxesse alguma paz ou explicação a Rosa ou ao infeliz assistindo. Não traz. 

    Dai eles se lembram do efeito bel para meninas e até uma inspiração visível no caso Marina Joyce, Dora obriga Rosa a gravar alguns vídeos, o pessoal percebe seu pedido de socorro e condena a mãe por seus atos. Outro caso muito similar que realmente tinha severos maus tratos é o Venus Angelic, faltou essa fonte ai na pesquisa dos divos, poderia ter inspirado um desfecho muito mais interessante. 

    Outra cena que eu acho que traria uma discussão válida é a primeira menstruação da Rosa, queria saber como isso possivelmente afetou a sua psique que tanto tempo foi forçada a se infantilizar, receber esse sinal biológico de que o tempo passou mais que o esperado assim de uma vez de forma tão visceral e brutalmente natural poderia adicionar necessária profundidade a mini diva. 

    Mas não rolou, outros sub plots que não vão a lugar algum são a Dora estar ajudando o marido da vizinha a pular cerca. A Joélly querendo ser influencer de dancinha sendo menor de idade, outra possível discussão interessante. E uma amiga de infância da Rosa que junta as peças do seu cativeiro junto a Luana, que rapidamente abandona o barco quando acredita no vídeo de "está tudo bem" da Rosa. A Zoe, amiga da Rosa, vivida por Júlia Helen, que se quer é creditada na wikipédia do filme serve para mover o plot até a denuncia formal do caso a polícia, e ajudar a burrinha da Rosa a entender tudo inicialmente, quando ela vê o quanto a Zoe cresceu e ela continua uma ratinha, alguns de nós tão tivemos mudanças assim tão significativas na puberdade, achei paia. 

    A denuncia nos leva ao desfecho, Dora simplesmente mete o pé, sai do Brasil e apaga o canal da filha, que nem pareceu ter tanta importância assim no fim das contas, já que a gente não sabe de qualquer implicação desse ato. E Rosa é deixada pra definhar em sua casa até a policia finalmente chegar, devo admitir que não esperava por essa, achei até corajoso, mas no fim, com a transição de tela preta e monitor cardíaco, um grande texto aparecendo dizendo "salvem todas as rosas" ou algo assim, pareceu apenas um fator de choque final, uma tentativa esbaforida de tentar reforçar a mensagem do filme, que de pouco vale já que a vilã se safou, e até engravidou, levando a entender que o ciclo continua. 

    Uma pena viu, achei bem fraquinho, mas esteticamente agradável, tirando o look da Dora no aniversário da filha que parecia um roupão, nem mesmo a beleza e o carisma da Karine fazendo caipirinha nesses trajes salvou Rosa. 

E todas as minhas criticas podem ser respondidas com o bom e velho "faz melhor", não tenho nenhum tipo de estudo na área de cinema, são só minhas impressões mesmo. 

3 comentários:

  1. Achei a Rosa muito sonsa na cena em que ela já está presa no quarto e quando a mãe entra com um prato de comida ela se esconde atrás da porta, ela tinha todo o tempo pra sair do quarto e fechar a porta, trancando a mãe dentro do quarto, mas ao invés disso ela vai e mete um empurrão que não serve de NADA kkkkkk

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  2. Achei a Rosa muito sonsa na cena em que ela já está presa no quarto e se esconde atrás da porta quando a mãe dela entra com um prato de comida, ela tinha todo o tempo pra sair e trancar a mãe dentro do quarto, mas ao invés disso ela vai e mete um empurrão que não serve de NADA KKKKKKK

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  3. "Eu nunca tinha parado pra pensar no quanto é perigoso, nesse tipo de situação o fato de precisar da autorização dos pais para tirar sangue de uma criança, e pesquisando, o buraco é mais em baixo, não se pode nem operar mesmo que a criança esteja correndo risco de vida sem autorização dos pais. Provavelmente essa é uma discussão muito séria, vamos ficar no nosso mundinho silly"
    Isso aqui em sua maioria e por questão religiosas principalmente testemunhas de Jeová, mas sim no geral pra qualquer exame de sangue ou cirurgia e necessário permissão dos pais ou respirável ser não o médico que fez sem permissão pode levar uma tora nas costas (juridicamente falando) bom reviu interessante só não concordo com a parte da mensagem perder valor pq a vila ser safar, tipo acho que nessa parte ele foi realista já que muitas dessas pessoas realmente ser safam de seus crimes por isso devemos denunciar para que isso não aconteça com tanta frequência, no mais ótima análise 👏🏼👏🏼👏🏼

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